A Suíça acaba de alcançar um marco importante em seu seleto mercado de iGaming. A Eidgenössische Spielbankenkommission (ESBK) concedeu oficialmente ao Casino Locarno a décima licença de cassino online do país. Com isso, o operador se prepara para lançar sua plataforma digital, CasiNeo.ch, injetando novo fôlego em um mercado considerado altamente lucrativo, mas notoriamente difícil de acessar.
Vantagem de quem já está em terra firme
Pela Lei Federal de Jogos de Dinheiro (Geldspielgesetz), apenas operadores físicos bem estabelecidos podem explorar o jogo online. Ou seja, na Suíça, é obrigatório possuir primeiro uma licença de cassino terrestre em determinada região para depois lançar uma marca digital. O Casino Locarno se encaixa perfeitamente nessa exigência: inaugurado em 2002, oferece uma base sólida para a expansão para o ambiente online.
O cenário ficou ainda mais favorável após a compra do Casino Locarno pelo Baden Group, em 2022, trazendo peso e experiência ao projeto. O Baden Group já conhece profundamente o rigor regulatório suíço: quando o mercado online abriu em 2019, o Casino Baden foi o primeiro cassino legal na internet do país. Agora, com o lançamento do CasiNeo.ch, o grupo praticamente dobra sua presença digital e reforça sua posição como uma das forças dominantes no setor de jogos suíço.
Nos últimos anos, a ESBK vem demonstrando maior abertura para o crescimento do mercado. Em 2023, o órgão regulador reabriu a janela de licenciamento, permitindo que a marca Admiral.ch, da Novomatic, ingressasse por meio de uma parceria com o Casino Mendrisio. Ainda assim, o número de licenças ativas segue rigidamente limitado a dez, o que torna cada concessão um ativo extremamente disputado.
Compliance em nível máximo
Operar na Suíça significa assumir um compromisso pesado com conformidade regulatória. A ESBK monitora de perto todos os produtos de jogo online, analisando detalhadamente slots e jogos de mesa. Além disso, os reguladores impõem protocolos rigorosos de verificação de clientes.
Para manter a licença, os operadores são obrigados a realizar checagens antes mesmo de permitir a primeira aposta: é preciso confirmar a idade exata do usuário, verificar o local de residência e ainda validar a situação de domicílio fiscal. Essas barreiras altas funcionam como um filtro, afastando competidores casuais e protegendo quem opera sob licença oficial.
Endurecimento contra concorrentes estrangeiros
Para quem detém uma dessas dez licenças, os sites offshore e do mercado negro são hoje a principal ameaça. Nesse ponto, porém, o regulador suíço vem conseguindo defender o mercado licenciado com bastante firmeza. Em 2026, a ESBK planeja lançar uma ampla campanha em parceria com a Gespa, a organização internacional de jogos, para intensificar a perseguição a domínios ilegais.
Atualmente, a ESBK mantém uma lista negra com mais de 3.000 sites não autorizados que miram o público suíço. Para dar efetividade a esse bloqueio, a entidade coopera diretamente com provedores de internet em toda a região DACH. Esses ISPs bloqueiam o acesso a domínios proibidos, criando uma barreira técnica robusta em torno do mercado suíço.
Paralelamente, autoridades conduzem uma campanha nacional de conscientização. O objetivo é alertar os consumidores sobre os riscos financeiros de jogar em sites sem licença e direcionar o tráfego de jogadores para operadores legais, como o próprio CasiNeo.ch.
Olho no futuro
As autoridades suíças seguem apoiando integralmente a estratégia de fiscalização da ESBK. Por enquanto, governo federal e cantonal não demonstram qualquer interesse em revisar a Geldspielgesetz. A aposta oficial continua sendo em forte canalização para o mercado regulado e bloqueio via provedores de internet como solução para o jogo ilegal.
Parte dos especialistas do setor, porém, questiona se essas medidas serão sustentáveis a longo prazo. Países vizinhos como Alemanha e Áustria devem revisar ainda este ano suas próprias legislações de jogos, o que pode alterar o equilíbrio na região DACH. Caso esses mercados adotem modelos mais flexíveis, a Suíça poderá ser pressionada a reavaliar sua estratégia de limitar o online apenas a operadores com base terrestre.
Fonte: ESBK